Anedotas cotidianas


O prazer do estraga prazer parte 2

Essa rolou numa festinha... quer dizer, ao contrário da história anterior, não era tão festinha assim, mas o que costumamos chamar de balada. Era em uma casa ampla em um bairro prioritariamente residencial e, embora ampla, a casa estava cheia... cheia não, lotada. Parecia a liquidação de calçados DIC. Arrumamos um cantinho mais sossegado, longe do bar, longe da pista de dança e com uns Pufes aconchegantes.

 

O papo estava agradável, as pessoas dispersas na balada foram ao pouco se agregando, os donos da festa passavam por lá de vez em quando e notamos que estavam nervosos. Ah! Quem eram os donos da festa? Wesley e Rodolfo faziam aniversário essa semana, além disso, Elenilson estava se somando a eles no estúdio que os aniversariantes mantinham sendo então, festa de boas vindas.

 

Perguntamos a Elenilson o que estava acontecendo, ele relatou que duas senhorinhas da vizinhança reclamavam do barulho e movimentação na rua. Ora, elas tinham razão quanto ao barulho (mais do zunzunzum das conversas que do som em si) e, de fato o fluxo de pessoas rumo à festa estava intenso.

 

De qualquer maneira, a festa aconteciam no estúdio da galera, um local de trabalho, que de modo geral, funciona em horário comercial de forma civilizada com a realização de umas três festinhas esporádicas, menores que a festa em questão, por ano.

 

O fato é que as senhorinhas não se comoveram com a argumentação de que era uma noite em 100 que elas teriam que conviver com um certo barulho... queriam o fim imediato da festa. Talvez elas estivessem “mordidas” com o fato de Wesley ter esquecido de fazer o corre com a vizinhança avisando-a e convidando para a festa.

 

Bom, não é difícil imaginar que dissolver uma festa em seu auge com mais de 300 pessoas (não contei, mas certamente era mais que isso) não é um processo fácil, mas foi inevitável na hora em que, por força da insistência das senhorinhas, Wesley, Rodolfo e Elenilson tiveram que ir à delegacia. Como nem tudo no mundo é injusto, as senhorinhas foram para a delegacia também.

 

O processo de dissolução da balada foi uma engenharia a parte. Desliga-se o som, cessa-se a venda de bebidas, negocia-se com os descontentes, faz um processo de empurra da galera com a fala de “foi mal” e tenta-se evitar o clima de velório. Os mais chegados foram convidados a permanecer em um ambiente vedado. A coisa mais bizarra: sonzinho ambiente sob constante orientação do DJ: “dancem em silêncio”. Ficamos, embora o incomodo do “dançar em silêncio”, pois achamos que seria importante para Wesley, Rodolfo e Elenilson, ao menos encontrar os amigos para festejar um pouquinho, depois de horas na delegacia, mesmo que em silêncio.

 

Como moral da história deixo a seguinte reflexão: Será que pelo prazer de estragar o prazer da galera valeu a pena pras senhorinhas passar a noite inteira (até 4:30 da manhã) na delegacia? Ou se elas tivessem resolvido fazer um crochê, assar um bolo, assistir um filme na TV ou mesmo ido à festa elas não teriam uma noite mais agradável???



Escrito por marocha às 18h23
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