Anedotas cotidianas


Estado civil

Entre os estados que mais se confundem com o ser está o estado civil. Eu, por exemplo, estou solteira.

 

É curioso que, se na maior parte do século XX esse estado era suficiente para que as pessoas vissem o que aquela pessoa era. Uma mulher casada, antigamente era praticamente um apêndice do marido! Vejam só, muitas vezes eram tratadas, por exemplo, como Senhora Silva (sobrenome do marido) e nem se quer se conhecia seu primeiro nome. Tinha toda esse mito de “nós dois somos um” e de que aquela era uma situação imutável... ou melhor, mutável para um estado já previsto, sem surpresas: a viuvez. Mulher sozinha depois dos 20 e pouco era solteirona ou mais carinhosamente “titia”. E a separada era “largada do marido”. Essas eram as condições possíveis no universo feminino.

 

Não sei se as mulheres do século passado se incomodavam de ser apenas a Sra. Silva. Se se incomodavam, também, dificilmente nos diriam, pois lhes era ensinado a não questionar e não defender posições publicamente.

 

Hoje as coisas mudaram bastante. As relações estão mais definidas pelo estar junto do que pelo seu estado civil. Muitas pessoas que moram juntas (e outros casais que nem juntos vivem) se consideram casadas. O casamento é um estado e não um destino. As relações conjugais assumem hoje um padrão mais fluido ou um não-padrão. Acho que por conta das efemeridades envolvidas nas relações de hoje é importante para os membros dessa relação adotar mecanismos que ajudem a manter no ente amasiado alguma individualidade.

 

A independência financeira, a escolha pelo parceiro (casamento como relação e não como modo de vida diferentemente do casamento arranjado pela família: “um homem bom, que cuide direito de você” – ainda ouço isso da minha avó!!!) são a face mais evidente das relações hoje em dia. O fato de, mesmo junto, ser potencialmente livre... nem que seja pra juntar as coisas e sair andando se o tal “homem bom” não for tão bom assim... mas será que a sra. Silva cabe nesse “modelo”???

 

Dia desses estava com um grupo de amigos, nesse grupo, três casais. Dado momento, o namorido da Pati chega e me fala:

 

- A....... Beta tá lá fora te chamando!

- ???? Beta...

- Eu esqueci o nome dela! A mulher do Beto!

 

Comentei com a minha amiga (a Beta). Ela ficou transtornada...

 

- Beta? Como assim? Você me conheceu antes dele!

 

A Vanessa que estava ao lado comenta:

 

- Se ela é a Beta ele é o Pato!

 

Óbvio que todos riram, incluindo o marido da Vanessa que chegava nesse momento no grupo. Pato, passado em ver seu companheiro de gênero rindo de sua nova alcunha ainda ansiando conquistar um aliado diz:

 

- Poxa, então, se eu sou o Pato você é o Vanesso!

 

- Tudo bem! Então eu sou o Vanesso! Mas você é o Pato! Hahahahaha!

 

Quem mandou? Foi ele quem começou!



Escrito por marocha às 18h36
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Estive pensando sobre ser...

Pensar sobre ser pode ocupar sua vida inteira! E a gente pode pensar em ser tanta coisa, em ser de tantos jeitos... do mesmo jeito que o outro também é e ainda pode ser tantas outras coisas. Se formos pensar mais ainda, nós, além do que somos, também poderíamos ser... muitas coisas! Mas o que tenho pensado ultimamente, tem mais a ver com estar do que com ser, embora em geral enxerguemos tudo como se fosse uma coisa só.

 

O estar define muito do seu modo de vida e de alguma maneira vai marcando o nosso ser, mas não o define. O mesmo ser pode estar de diversas maneiras a depender de seu estado de espírito, momento de vida, contexto imediato ou qualquer outra coisa.

 

O fato é que hoje estou. Estou muitas coisas e isso faz toda a diferença até no que venho postar aqui de tempos em tempos.

 

Estou balzaquiana. E a cada dia compreendendo mais o que ser balzaquiana implica ser. Implica ser responsável por seus atos, afinal, não temos mais a juventude como álibi à tiracolo. Por mais que sejamos jovens, somos jovens adultos, no mínimo. Ouvi nesse fim de semana uma frase interessante... algo como “não agüento mais ficar esperando o momento e as condições certas pra fazer as coisas, porque não existe momento perfeito”... Quando eu estava jovem (sem nenhum complemento) ainda acreditava que as coisas seriam perfeitas (como aquelas idealizações que a gente tinha quando criança) quando eu fosse adulta. Fiquei adulta e cadê aquele mundo idealizado?

 

Resolvi que eu não vou idealizar muita coisa pra quando eu for uma jovem senhora.



Escrito por marocha às 21h49
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